9 / Fevereiro / 2010
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Capela N.S. de Czestochowa

 

 A colônia polonesa, radicada em São Paulo, possui sua capelania na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora situada no bairro do Bom Retiro. A capela, dedicada à Nossa Senhora de Częstochowa - Padroeira e Rainha da Polônia, situa-se na lateral direita desta monumental igreja que foi erigida no lugar do antigo santuário de 1914, ao lado do Instituto Dom Bosco. A capela polonesa foi construída sob a direção do primeiro capelão polonês em São Paulo, pe. Teófilo Twórz da ordem Salesiana.

 

 A sagração do altar de N. Sa. de Częstochowa ocorreu em 8 de setembro de 1944, por ser o dia de uma das maiores festas dedicadas à padroeira. O Bispo sagrante foi D. Pedro Massa, Bispo titular de Hebron e Prelado das Missões Salesianas do Amazonas. O quadro central do altar representa N. Sa. de Częstochowa, também conhecida como a "Virgem Negra", e que veio da cidade de Częstochowa, Polônia. O altar, em mármore, foi projetado pelo eng. Wieckowicz. Os dois vitrais situados nas laterais do altar representam N. Sa. de Częstochowa e N. Sa. de Vilno (capital da Lituânia). Na parte inferior de cada um dos vitrais pode ser observado o emblema da antiga República composta pela Polônia, Lituânia e Rutênia e que foi dividida pelos paises vizinhos no final do séc. 18. O vitral que se encontra na parte interna da Igreja, acima da Capela, representa a grande batalha dos exércitos Polonês, Alemão e Austríaco sob o comando do rei polonês Jan Sobieski III, sob os muros de Viena para a expulsão da armada turca comandada pelo Vizir Kara Mustafa, em 12 de setembro de 1683.




 

 O paraninfo de honra durante a sagração da Capela foi o Príncipe Roman Sanguszko e a madrinha a exma. sra. Germaine Lucie Burchard, Condessa Armand de Gontaut-Biron. Um dos parentes de S. A., o Príncipe Artur Czartoryski, tornou-se padre Salesiano. Na ocasião estiveram presentes muitos representantes da colônia polonesa em São Paulo como Dr. M. Koscinski, Diretor do Museu do Jardim Florestal, Sr. F. Szymański representante da Colônia Polonesa Católica e correspondente Consular da República da Polônia, de 1920 a 1926, entre outras personalidades polonesas e fiéis. 

 

 Em meados da década de 50 as paredes laterais e o teto da capela foram decorados com pinturas executadas por Piotr Wróblewski. Elas representam a figura de Cristo Misericordioso, ao centro, e ao seu redor santos poloneses como: S. Adalberto (Wojciech) do séc 10, Beneditino, patrono da Polônia, República Checa e Hungria; S.

 

Estanisalu (Stanisław), Bispo de Cracóvia no séc. 11; S. Edwiges (Jadwiga), a rainha polonesa do séc. 14; S. André (Andrzej) Bobola, Jesuíta, do séc. 16 e patrono de Varsóvia; S. Faustina (Faustyna) Kowalska do séc. 20, da Ordem de Maria Santíssima da Misericórdia; S. Maximiliano Kolbe, Franciscano, preso em Auschwitz durante a II Guerra Mundial e que ofereceu sua vida no lugar de um companheiro de prisão de origem judaica, e tantos outros santos da Igreja Católica Polonesa. Esta obra foi inaugurada em 26 de agosto de 1956.




 

 Os capelães poloneses ao longo dos anos, em ordem cronológica, foram: os Salesianos pe. Teófilo Twórz, pe. Antoni Łatka, pe. Jan Kasprzyk, pe. Stanisław Łobaza, pe. Jósef Slazyk e pe. Władysław Klinicki. Em 21 de dezembro de 1996, a Capelania passou a ser dirigida pelo pe. Mirosław Stępień, da ordem Sociedade de Cristo (SChr), e desde fevereiro de 2006 pelo pe. Jan Flig, da mesma ordem.

 

 Em 22 de outubro de 2006, a sociedade ofereceu à Capelania Polonesa o busto, em bronze, do papa João Paulo II, Karol Józef Wojtyła, projetado e esculpido pela artista plástica Cristina O. M. Malagut Scaff.




 

 Na cerimônia de descerramento foi rezada a Santa Missa por Sua Eminência Reverendíssima Dom Cláudio Hummes Arcebispo Metropolitano de São Paulo, ladeado por 10 padres da comunidade polonesa. Estiveram presentes ao ato: o Sr. Marek Kryński e Sra. Cônsul Geral da República da Polônia em São Paulo, o Presidente da Comunidade Israelita de São Paulo, Rabino Henry Sobel, o Capelão da Comunidade Polonesa em São Paulo, pe. Jan Flig, a artista plástica que executou a obra do busto a Sra Cristina O M Malagut Scaff, o Comitê Social da construção do busto do Papa João Paulo II dirigido pela Sra Elżbieta Kryńska e composto pelas Senhoras Barbara Sieradzka, Pelagia Telecki, Daniela Bąk e Barbara Rzyski, distintos Representantes Hierárquicos da Igreja Católica Paulistana, da Comunidade Judaica, Autoridades Estaduais e Municipais, e demais convidados.

 

Profa Barbara Rzyski, 2006.

 

Pequena biografia do Papa João Paulo II

 

 Karol Józef Wojtyła  nasceu, em 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, próximo de Cracóvia ao Sul da Polônia. Era filho de Karol Wojtyła, tenente do exército dos Habsburgos, e Emilia Kaczorowska Wojtyła. Teve um irmão Edmundo, médico. Em 1929, perdeu a mãe; em 1931, o irmão; e, em 1941, perdeu o pai. Em 1938, entrou para a Universidade de Jagiellonia. Um ano depois enfrentou as conseqüências da invasão alemã durante a 2ª Guerra Mundial e sofreu a perda de seus amigos e colegas e passou por todos os horrores da guerra. Fazia parte de um grupo de teatro que apoiava a resistência contra o nazismo e mantinha intenso contato com a comunidade judaica de Cracóvia fortemente ameaçada pela ocupação nazista. Ao resolver seguir sua fé como padre católico, teve que estudar escondido. Foi ordenado sacerdote católico, em 1 de novembro de 1946, pelo então Cardeal Arcebispo de Cracóvia, Adam Stefan Sapieha. 

 

 Pe. Wojtyła foi docente de Ética na Universidade de Jagielonia, Cracóvia, e mais tarde na Universidade Católica de Lublin. Em 1958, foi nomeado Bispo Auxiliar de Cracóvia e quatro anos depois, em 1962, Bispo de Cracóvia. Em 30 de dezembro de 1963, como Arcebispo de Cracóvia, participou do Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa Paulo VI, contribuindo com a redação dos documentos: Declaração sobre a Liberdade Religiosa (Dignitatis Humanae) e Constituição Pastoral da Igreja no Mundo Moderno (Gaudium et Spes). Em 1967, foi elevado a Cardeal pelo Papa Paulo VI. Em 1978, após a morte de Paulo VI e de seu sucessor Albino Luciani – Papa João Paulo I, no papado mais curto da história da Igreja Católica - 33 dias, o então Arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyła, foi elevado à posição máxima da Igreja Católica Apostólica Romana, em 16 de outubro de 1978, como Papa João Paulo II.

 O papado de João Paulo II, o terceiro mais longo da história da Igreja Católica, durou 26 anos e foi marcado por mais de 100 viagens pastorais a 129 paises e mais de 1000 localidades; cerimônias de beatificação e canonização, tornando-se por causa de seu carisma e grande habilidade em lidar com a mídia, o Papa mais popular da história. Os primeiros anos do papado foram marcados por sua luta contra o comunismo opressor na Polônia e todos os países do Leste Europeu e uma crítica ao mundo ocidental contra a opressão dos menos favorecidos. Visitou o Brasil três vezes, em 1980, 1991 e 1997. João Paulo II escreveu várias obras entre elas 15 exortações apostólicas, 11 Constituições apostólicas e 45 Cartas apostólicas. Também escreveu cinco livros e 14 encíclicas:

O Redentor do Homem  (Redemptor Hominis) - 4 de Março de 1979; Deus, Rico em Misericórdia (Dives in Misericordia) - 30 de Novembro de 1980; Exercendo o Trabalho (Laborem Exercens), sobre o trabalho e comemoração do 90º aniversário da encíclica "Rerum Novarum" do Papa Leão XIII - 14 de Setembro de 1981; Os Apóstolos dos Eslavos (Slavorum Apostoli), Comemoração dos Santos Cirilo e Metódio, 2 de Junho de 1985 ; Senhor que dá a Vida  (Dominum Dominum et Vivificantem) - 18 de Maio de 1986; A Mãe do Redentor (Redemptoris Mater )- 25 de Março de 1987; A solicitue social da Igreja  (Sollicitudo Rei Socialis), sobre assuntos sociais - 30 de Dezembro de 1987; A Missão de Cristo Redentor (Redemptoris Missio), sobre a validade permanente do mandato missionário 7 de Dezembro de 1990; O Centésimo Ano (Centesimus Annus), no 100º aniversário da encíclica "Rerum Novarum"; sobre o capital e o trabalho; sobre o ensino - 1 de Maio de 1991; O Esplendor da Verdade (Veritatis Splendor), sobre questões de moral da Igreja 6 de Agosto de 1993; O Evangelho da Vida  (Evangelium Vitae) - 25 de Março de 1995; Que todos sejam um (Ut Unum Sint), sobre o empenho no ecumenismo - 25 de Maio de 1995; A Fé e a Razão  (Fides et Ratio), na qual condena o ateísmo e a fé sem razão e afirma a posição da filosofia e razão na religião - 14 de Setembro de 1998; Igreja vive da Eucaristia  (Ecclesia de Eucharistia) - 17 de Abril de 2003.


 O Papa João Paulo II faleceu em 02 de abril de 2005. O atual Papa, Bento 16, abriu o processo de beatificação de João Paulo II, em 28 de junho de 2005. 

Prof Barbara Rzyski, 2006

 

 
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